Lei da Nova Jersey impulsiona transferência do domínio

O Radaris.com acumulava reputação de ignorar pedidos de remoção de dados pessoais. Em fevereiro de 2024, a Atlas Data Privacy Corp. ajuizou uma ação contra a empresa com base na Daniel’s Law, legislação da Nova Jersey que permite a remoção completa das informações de policiais, funcionários públicos, juízes e familiares de corretores de dados e sites de busca de pessoas. A lei prevê multas de US$ 1.000 por violação.

Menos de um mês depois, a KrebsOnSecurity investigou os irmãos russos Igor e Dmitry Lubarsky, nascidos na Rússia e residentes em Massachusetts. Eles operavam uma ampla rede de serviços de busca de pessoas, sites de namoro em russo e programas de afiliados. Os advogados da Radaris ameaçaram entrar com ação por difamação caso a reportagem fosse retirada e um pedido de desculpas fosse publicado, afirmando que os verdadeiros proprietários eram ucranianos.

Uma investigação posterior mostrou que os irmãos construíram e operavam a Radaris e outras empresas usando o nome fictício de um executivo. Val Gurvits, advogado ligado à Boston Law Group, admitiu que os clientes haviam inventado o CEO “Gary Norden”. A Radaris também publicou comunicados ao longo dos anos com declarações desse executivo fictício enquanto buscava investimentos.

Os advogados da Radaris só compareceram perto do final do processo e alegaram que a Atlas não havia citado os verdadeiros proprietários e operadores da empresa e de outras sociedades do grupo. A Atlas ajuizou nova ação em junho de 2025, ampliando o número de corretores de dados acusados de violar a Daniel’s Law.

As políticas de privacidade e os termos de serviço mudaram repetidamente, enquanto novas entidades apareciam nas Ilhas Marshall, nas Ilhas Virgens Britânicas e nas Seychelles. Matt Adkisson, presidente e CEO da Atlas, disse que a estratégia consistia em sustar as entidades anteriores e apresentar outras novas conforme o processo avançava. Quando os réus afirmaram que a Radaris era gerida por uma empresa das Ilhas Marshall, um investigador contratado pela Atlas constatou que a entidade recém-criada nem existia.

Em uma ação coletiva de 2017, a Radaris foi condenada à revelia a pagar US$ 7,5 milhões por não ter contestado a reclamação em tribunal. O juiz determinou que a Verisign transferisse o domínio radaris.com aos autores. Gurvits recorreu, argumentando que a ação não havia citado a Bitseller Expert Limited, empresa de Chipre que constava como titular do domínio, e que a transferência violaria o devido processo legal. O tribunal suspendeu a medida e permitiu novo ajuizamento.

Pouco depois, o operador da Radaris mudou de Bitseller para a Andtop