Entenda o caso
Uma startup norueguesa, a Vegalabs AS, está em uma situação delicada após receber uma fatura de US$ 17.600 pelo uso do modelo de inteligência artificial Claude, da Anthropic, deployado no Microsoft Foundry. A empresa alega que assumiu que os créditos Azure, recebidos por meio do programa Microsoft for Startups, cobririam os custos, mas descobriu que isso não era possível.
A Vegalabs havia recebido US$ 25.060 em créditos Azure e esperava que esses recursos fossem aplicados aos custos de análise de dados com o Claude. No entanto, as regras de patrocínio da Microsoft excluem explicitamente modelos Anthropic adquiridos por meio do Azure Marketplace. A empresa afirma que tentou monitorar o portal de patrocínio, que continuou a mostrar créditos disponíveis enquanto cobranças separadas se acumulavam.
O problema se agravou quando a Microsoft tentou cobrar US$ 16.500 do cartão da startup, um valor que posteriormente subiu para US$ 17.600 antes dos impostos. A Vegalabs diz que removeu o deploy do Claude em menos de uma hora ao descobrir a cobrança, e que o emissor do seu cartão recusou o pagamento por suspeita de fraude. Os US$ 21.168 em créditos de patrocínio não utilizados expiraram em 8 de setembro.
Após a descoberta, a startup entrou em contato com o suporte da Microsoft e da Anthropic para solicitar uma isenção da fatura. No entanto, ambas as empresas direcionaram a questão uma para a outra. Comunicações vistas pelo The Register mostram que a Microsoft orientou o cliente a contatar a Anthropic, argumentando que transações do Marketplace são processadas por um pipeline de cobrança separado e que o suporte Azure não tem capacidade de reembolsar diretamente. Por sua vez, a Anthropic alegou que a Microsoft não necessitava de sua autorização para processar um reembolso e redirecionou a startup de volta à Microsoft.
A Vegalabs também aponta que quatro das sete respostas de suporte que recebeu foram geradas por IA, incluindo ambas as respostas da Anthropic. A startup diz que essas respostas descreviam incorretamente sua conta como um “Azure Student Sponsorship”. A startup reconhece que não leu as exclusões de crédito ou configurou alertas de orçamento, mas afirma que a interface de deploy não deixou claro que a cobrança seria separada.
O The Register procurou a Microsoft em 6 de outubro para obter um comentário, mas, além de um reconhecimento e um pedido para esperar pela posição da Anthropic, a empresa não se manifestou. A Anthropic, por sua vez, não respondeu a pedidos de commentário.
Este caso destaca a necessidade de clareza nas regras de cobrança quando serviços e modelos de terceiros são integrados em plataformas de nuvem. A distinção entre serviços cobertos por crédito e modelos cobrados separadamente precisa ser mais evidente para os usuários que realizam esses deploy.
Com informações de: The Register