Em um cenário em que a maioria das empresas brasileiras planeja o pico de folga no verão, a segurança da informação parece envolver um paradoxo: enquanto as operações de segurança não diminuem, a equipe ——————————————————————————————————————————- de TI faz escala de férias. Segundo o relatório da BleepingComputer, a Kaseya, empresa de gestão de TI, identificou que 23 % dos profissionais de segurança costumam se ausentar durante o período, resultando em um aumento de 12 % nos incidentes detectados em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

A publicação destaca que, embora o fluxo de trabalho de monitoramento não pare, a diminuição de pessoal cria lacunas críticas que podem ser exploradas por adversários. Dados concretos revelam que 56 % dos incidentes de segurança “sem resposta rápida” foram atribuídos a falta de pessoal na equipe de TI durante os dias de férias. Em muitos casos, a ausência de analistas em tempo real atrasou a contagem de malware, a aplicação de patches e a resposta a alertas de phishing.

Para o Brasil, esse cenário tem implicações diretas. Aproximadamente 70 % das empresas de pequeno e médio porte empregam equipes de TI internas menores e dependem de consultorias externas. Quando esses profissionais se afastam, a janela de vulnerabilidade amplia. Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) impõe multas de até 2 % do faturamento anual, ou R$ 20 milhões, por violações de dados. Um atraso na detecção e contenção de ameaças pode, portanto, transformar um incidente de segurança em uma multa onerosa e danos à reputação.

O Brasil registrou mais de 4 000 incidentes de violação de dados em 2023, com 18 % desses ocorrendo entre julho e agosto. A correlação com períodos de férias sugere que a falta de cobertura adequada de segurança pode estar impulsionando esses números. Em setores regulados, como financeiro e saúde, os riscos são ainda maiores, pois as violações podem comprometer informações sensíveis e desencadear auditorias rigorosas.

A solução proposta pela Kaseya gira em torno da automação impulsionada por inteligência artificial. Em termos simples, a IA permite que sistemas de detecção de intrusão, análise de logs e resposta a incidentes operem 24/7, independentemente da presença humana. Algoritmos de machine learning aprendem padrões normais de tráfego e, assim, identificam anomalias em tempo real. Quando uma ameaça é detectada, a IA pode executar ações predefinidas, como isolar endpoints, bloquear endereços IP ou até mesmo aplicar patches de segurança automaticamente.

Um aspecto crítico dessa abordagem é a redução da dependência de processos manuais. Por exemplo, o gerenciamento de vulnerabilidades pode ser automatizado para revisar vulnerabilidades em servidores, sistemas operacionais e aplicações, priorizando-as de acordo com a criticidade e a exposição de dados. Em um ambiente parser, isso significa que mesmo que apenas um analista de segurança esteja disponível, ele pode supervisionar a execução de centenas de correções sem intervenção direta.

Para as empresas brasileiras que enfrentam o desafio de manter a segurança durante o verão, a prática recomendada inclui a adoção de plataformas de automação de segurança, como a própria solução da Kaseya ou outras alternativas de mercado. O passo inicial é mapear os processos críticos que mais sofrem com a falta de pessoal, como monitoramento de logs, análise de ameaças e patch management, e então integrar esses processos a um sistema que possa operar autonomamente.

Além disso, a criação de um plano de contingência de férias deve incluir: (1) designação de analistas de backup para rotação; (2) treinamento em ferramentas de automação; e (3) comunicação clara de responsabilidades. Isso garante que, mesmo quando a equipe principal estiver de folga, as respostas a alertas críticos não sejam interrompidas.

Nos próximos dias, espera-se que mais empresas brasileiras adotem tecnologias de automação para mitigar o risco de segurança associado ao período de férias. O mercado de segurança nacional está em expansão, com investimentos em IA crescendo 25 % em 2024, impulsionados pela necessidade de resiliência contínua. Reguladores também estão pressionando por maior transparência na gestão de incidentes, o que pode levar a requisitos mais rígidos de documentação e reporte.

Em suma, a queda de pessoal no verão não pode ser vista como um risco intransponível. Quando bem implementadas, as soluções de automação de IA permitem que as equipes de TI mantenham a proteção, reduzam a carga de trabalho manual e estejam prontas para responder a ameaças em tempo real, garantindo que o verão não se transforme em um ponto de vulnerabilidade para as empresas brasileiras.

Fonte: BleepingComputer