Ucraniano é sentenciado nos EUA por atuação no Conti
Um cidadão ucraniano de 44 anos foi condenado a quatro anos de prisão nos Estados Unidos por sua participação prolongada no Conti, grupo de ransomware que atacou mais de 1.000 organizações no mundo antes de ser desmobilizado em 2022. A pena foi anunciada nesta quinta pelo Departamento de Justiça.
Oleksii Oleksiyovych Lytvynenko, também identificado como Alexsey Alexseevich Litvinenko, admitiu em junho uma conspiração para cometer fraude por meios eletrônicos ligada a parte dos ataques. Ele reconheceu que entrou no grupo em setembro de 2021, desenvolveu malware e armazenou dados de 12 vítimas, oito delas sediadas nos Estados Unidos.
“Durante anos, o grupo de ransomware Conti executou uma campanha contínua e sofisticada contra centenas de organizações nos Estados Unidos e no exterior, incluindo entidades de infraestrutura crítica, causando prejuízos de milhões de dólares”, afirmou A. Tysen Duva, procurador assistente responsável pela Divisão Criminal do Departamento de Justiça.
Duva afirmou que Lytvynenko atuou como invasor e desenvolvedor, prejudicou ao menos 12 empresas, guardou dados roubados e ajudou a construir ferramentas usadas para extorquir e ameaçar comunidades. Segundo ele, o ucraniano seguiu participando ativamente de operações de ransomware após o fim do Conti e até sua prisão.
A prisão ocorreu na Irlanda em julho de 2023, onde Lytvynenko vivia com status temporário de proteção. As autoridades disseram que ele estava dormindo ao alcance das mãos de um laptop aberto que executava Cobalt Strike. Ele foi extraditado para os Estados Unidos em outubro de 2025.
Segundo os promotores, Lytvynenko e conspiradores extorquiram cerca de US$ 634 mil em Bitcoin de duas vítimas no Tennessee. Uma era uma entidade governamental não identificada, cujo comprometimento atingiu o departamento do xerife, o serviço médico de emergência e a polícia local. Depois que outra vítima do estado recusou um pedido de resgate de US$ 3 milhões, os acusados vazaram dados roubados.
- Outros acusados: Maksim Galochkin, Maksim Rudenskiy, Mikhail Mikhailovich Tsarev e Andrey Yuryevich Zhuykov foram indiciados em 2023 no mesmo tribunal federal por crimes ligados à suspeita de participação em ataques do Conti entre 2020 e 2022.
- Alcance e recompensa: O grupo atingiu centenas de provedores de infraestrutura crítica e o governo da Costa Rica em 2022. O Departamento de Estado chegou a oferecer US$ 10 milhões por informações sobre seus líderes.
- Mudanças de identidade: Após a desmobilização, integrantes do grupo que utilizava o alfabeto cirílico adotaram os nomes Zeon, Black Basta e Quantum. O Quantum virou Royal e, em 2024, passou a usar BlackSuit.
O Conti reagiu a um grande vazamento que expôs conversas entre seus integrantes em 2022, montando nova infraestrutura e atacando outros alvos. A capacidade de retomada reforçou a reputação de resistência do grupo, que acabou desmobilizado naquele mesmo ano.
“Lytvynenko e seus conspiradores usaram o ransomware Conti para atacar computadores e redes em quase todos os estados. A sentença de hoje reflete a gravidade e a extensão desses crimes”, disse Brett Leatherman, diretor assistente da Divisão Cibernética do FBI.
Leatherman acrescentou que criminosos de ransomware não são anônimos e que atuar no exterior não os livra de consequências. Ele afirmou que o FBI e seus parceiros usarão todos os meios legais para desmantelar a infraestrutura desses grupos e levá-los à Justiça.
Com informações de: CyberScoop