Orçamento de segurança cresce, mas IA concentra os novos recursos

As organizações estão aumentando os investimentos em IA para cibersegurança antes de terem evidências claras sobre o retorno. A mudança recebe impulso da passagem rápida dos testes para a produção, do uso de IA por atacantes para automatizar e acelerar operações e do receio de ficar atrás de empresas que já adotam a tecnologia.

A IANS e a Artico ouviram mais de 500 CISOs sobre os planos de gasto para 2026. O crescimento médio dos orçamentos de segurança passou de 4% em 2025 para 5% em 2026, enquanto a mediana permaneceu inalterada pelo segundo ano consecutivo.

  • 69% indicaram a IA como a principal prioridade para receber novos recursos.
  • 24% criaram uma linha exclusiva de orçamento de segurança para IA.
  • 38% incluíram os gastos no orçamento geral de segurança, e outros 38% os financiaram por meio de TI, dados ou inovação.

A pesquisa indica que a IA deve transformar as equipes, não substituí las. Cerca de 91% dos CISOs esperam ganhos de produtividade nos próximos 12 meses, e 81% preveem demanda por novas funções e habilidades. As tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas, enquanto os profissionais assumem detecção de anomalias, investigação de ameaças e decisões sobre riscos emergentes.

Nick Kakolowski, diretor sênior de pesquisa da IANS, afirma que formalizar a IA na estrutura do orçamento está influenciando os gastos mais do que o previsto. Para ele, uma linha própria facilita a obtenção de verba, enquanto executivos pressionam líderes a adotar a tecnologia com medo de perder terreno.

Os resultados contrastam com dados recentes da Gartner obtidos com mais de 1.000 profissionais de TI de empresas com receita de pelo menos US$ 50 milhões. A consultoria constatou que os casos de uso mais buscados raramente são os que oferecem os melhores retornos. Detecção e resposta a ameaças lideram a procura, mas a otimização inteligente de ativos e custos de TI apresentou o maior valor.

Ram Varadarajan, CEO da Acalvio, atribui o movimento a uma assimetria do medo. Segundo ele, um vazamento não detectado é visível e pode encerrar uma carreira, por isso comprar segurança movida por IA funciona como proteção contra culpa, não como aposta validada. Quando a IA vira padrão de mercado, decisões por imitação entre concorrentes substituem compras baseadas em evidências.

Sean Murphy, CISO de campo da F5, diz que a urgência vem da operação da IA fora dos laboratórios. Atacantes já trabalham na velocidade das máquinas, tornando a defesa em ritmo humano insustentável. David Lindner, CISO da Contrast Security, acrescenta que criminosos usam IA para criar phishing mais convincente, modificar malware e encontrar falhas no código com mais rapidez. Esperar um caso de negócio sólido, avalia, equivale a dizer ao conselho que a empresa planeja perder mais devagar.

O retorno continua difícil de medir porque o principal benefício de um investimento em segurança é um dano que não ocorre, como um vazamento ou uma paralisação. Daniel Kennedy, analista principal de pesquisa da S&P Global Market Intelligence, explica que o ROSI mede perdas evitadas, ao contrário do ROI tradicional. Para ele, o debate deve focar em como proteger a IA usada por funcionários e onde integrá-la às ferramentas de segurança, às operações de SecOps e à revisão de código gerado.

Com informações de: Dark Reading