Descoberta falha de design em hardware de criptografia permite ataques de replay em memória DDR5
Cientistas de segurança de computadores identificaram uma falha de design em hardware de criptografia de memória que pode expor dados em ambientes de computação confidencial. O ataque, batizado de DDRop, requer acesso físico ao servidor, mas demonstra uma vulnerabilidade significativa em sistemas de memória DDR5.
A pesquisa envolveu especialistas da KU Leuven, ETH Zurich, Durham University e Google. Eles descobriram que o hardware de criptografia de memória escalável não verifica se os dados na memória estão atualizados. Isso permite que um ataque de replay utilize dados desatualizados escolhidos pelo agressor.
O DDRop utiliza um ‘interposer’ personalizado, um pequeno circuito integrado que custa menos de US$ 200 e é posicionado entre o processador e o módulo de memória. Este dispositivo corrompe comandos no barramento DDR5 de alta velocidade, silenciosamente descartando escritas na memória criptografada. O sistema continua operando com dados antigos que ainda são perfeitamente descriptografados.
O ataque compromete a integridade de três tecnologias de execução confiável (TEEs): Intel TDX, Scalable SGX e AMD SEV-SNP. Os pesquisadores demonstraram com sucesso um ataque em um servidor Intel TDX atual, forçando o modo de depuração e lendo memória privada em texto plano. Além disso, foram gerados relatórios de atestação falsos, tornando uma máquina virtual backdoored confiável para o usuário remoto.
Os ataques são determinísticos e ocorrem em menos de dois minutos sem interromper o sistema. Esta é a primeira vez que um ataque interposer ativo é demonstrado na memória DDR5, superando limitações de ataques passivos anteriores que exigiam equipamentos de laboratório de US$ 170.000 e reduziam a velocidade da memória.
As empresas Intel e AMD reconheceram a vulnerabilidade, mas consideram o ataque fora do escopo de seus modelos de ameaça para nuvem. Não há uma correção simples para os designs atuais de criptografia de memória escalável, pois eles deliberadamente trocam frescor criptográfico pela capacidade de proteger grandes volumes de memória.
Van Bulck destacou que mitigações planejadas como ‘cache line versioning’ também parecem vulneráveis ao DDRop. A equipe pesquisadora liberou o design completo do interposer como hardware de código aberto, incentivando a comunidade de segurança a desenvolver contramedidas.
Pesquisadores envolvidos: Jo Van Bulck, Jesse De Meulemeester, Stefan Gloor, Patrick Jattke, Daniel Moghimi, David Oswald, Martin Thompson, Kaveh Razavi e Ingrid Verbauwhede.
Com informações de: The Register