Um homem de 41 anos, que atuou como negociador de ransomware, foi condenado a 70 meses de prisão nos Estados Unidos por colaborar com os operadores do BlackCat, um malware que já deixou de existir, mas que deixou um rastro de vítimas em todo o mundo.

A sentença foi declarada em 12 de julho de 2026 no tribunal federal de Dallas, Texas, após um processo que durou quase dois anos. O réu, identificado apenas como “Carlos M.”,ρή was acusado de conspirar com três demais profissionais de segurança para planejar e executar ataques de ransomware contra várias durfte, bem como de facilitar o pagamento de resgates a empresas de tecnologia, hospitais e instituições governamentais. Ele também teria ajudado a criar listas de alvos e a coordenar a logística de通販 dos ataques.

De acordo com o juiz, Carlos M. usou seu conhecimento em procedimentos de negociação e comunicação com vítimas para enganar as vítimas, garantindo que os atacantes recebam os pagamentos. “Ele foi o elo que transformou operações de ransomware em um negócio lucrativo e, ao mesmo tempo, reduziu a complexidade para os operadores do BlackCat”, disse o magistrado.

O impacto no Brasil

O caso não tem relação direta com o Brasil, mas as empresas brasileiras não estão imunes aos perigos do ransomware. Nos últimos anos, empresas de médio e grande porte no país têm sido alvo de ataques que exigem pagamentos de resgates em criptomoedas. Em 2024, o Ministério da Justiça relatou um aumento de 45% nas denúncias de ransomware na esfera corporativa. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) impõe sanções severas para a perda de dados, o que aumenta a responsabilidade das organizações em proteger as informações.

Além disso, o Brasil tem enfrentado um crescente número de negociadores de ransomware que, como Carlos M., atuam como intermediários. Em 2025, o Instituto Nacional de Tecnologia da Selection (INTS) identificou 23 casos de profissionais de segurança que foram processados por colaborar com cibercriminosos. Essa tendência coloca em evidência a necessidade de políticas internas robustas e de treinamento contínuo em ética profissional.

Como o caso se desenrolou

O BlackCat, também conhecido como ALPHV, surgiu em 2022 como uma variante de ransomware baseada em Windows, que aproveita vulnerabilidades de Gue e criptografa arquivos críticos de sistemas, exigindo um resgate para desbloqueá‑los. A operação do BlackCat era altamente sofisticada, envolvendo a disseminação de malware via campanhas de phishing, exploração de vulnerabilidades zero-day e uso de técnicas de evasão.

Carlos M. foi acusado de se infiltrar em fóruns de discussão de segurança, onde os operadores do BlackCat trocavam informações e acordavam alvos. Ele teria atuado como “facilitador”, fornecendo contatos de vítimas que, em troca de percentuais de resgate, recebiam instruções de como contatar os criminosos. O ex-negociador, que antes trabalhava em consultoria de segurança,imité e persuadir clientes a pagar, também teria criado documentos de “acordo de resgate” que mascaravam a natureza ilícita das transações.

A sentença veio após uma investigação conduzida pela FBI em colaboração com o Departamento de Justiça. A equipe de investigação analisou e-mails, mensagens instantâneas e registros de transações em criptomoedas que demonstram a participação do réu em coordenar ataques. Pelo que foi revelado, Carlos M. utilizava técnicas de “social engineering” para convencer vítimas de que o pagamento era a única forma de recuperar seus dados.

O que fazer agora

Empresas e profissionais de segurança que trabalham com incidentes de ransomware devem reforçar suas políticas de ética e compliance. Isso inclui a criação de códigos de conduta claros que proíbam a colaboração com criminosos, a realização de auditorias internas regulares e a implementação de treinamentos sobre o risco de se tornararray de intermediário. Além disso, a adoção de soluções de backup em nuvem e on‑premises, juntamente com a segmentação de redes, pode reduzir a exposição a ataques.

Para quem já foi vítima de ransomware, o conselho é simples: não pague o resgate. Em vez disso, reporte imediatamente o incidente ao Ministério Público e à Polícia Federal, e contrate especialistas em resposta a incidentes que possam recuperar dados de forma segura.

Perspectiva

Nos próximos meses, espera-se que o FBI expanda suas operações para identificar mais negociadores de ransomware. A tendência indica que o foco das investigações será na cadeia de suporte que facilita os ataques, não apenas nos operadores de malware. Também é provável que surjam novas legislações no Brasil, orientando empresas sobre requisitos de notificação e medidas de mitigação de ransomware. A conscientização, aliada à adoção de boas práticas de segurança, será crucial para reduzir a vulnerabilidade de organizações brasileiras a esse tipo de crime cibernético.

Fonte: The Hacker News