Estudo revela aumento alarmante de anorexia e bulimia nas últimas três décadas

Uma análise global publicada na JAMA Psychiatry aponta que a incidência de anorexia nervosa e bulimia nervosa disparou 71% entre 1990 e 2023. Conduzida por pesquisadores do Hospital Infantil da Universidade Médica de Nanjing, na China, a pesquisa estimou que 18,1 milhões de pessoas viviam com uma dessas duas condições em 2023. O impacto na saúde global equivale a 3,83 milhões de anos de vida saudável perdidos, métrica conhecida como anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs).

Projeções indicam piora contínua até 2050

Os modelos estatísticos utilizados pela equipe de Ruhai Bai, que cobriram 204 países e territórios, preveem que o número de afetados por essas duas doenças chegue a 21,8 milhões em 2050. Contudo, a psicóloga clínica Cheri Levinson, da Universidade de Louisville, alerta que a realidade é ainda mais grave. Como anorexia e bulimia representam menos da metade de todos os transtornos alimentares, a taxa real provavelmente triplica os números reportados.

Redes sociais e pandemia aceleraram quadro clínico

Especialistas citam a exposição massiva a conteúdos de “thinspiration” e “fitspiration” nas redes sociais como gatilhos ambientais decisivos. Um estudo da Universidade de Melbourne mostrou que algoritmos do TikTok entregaram 4.343% mais vídeos tóxicos sobre transtornos alimentares a usuários já vulneráveis. A isolamento social durante a covid-19 também teve papel central: hospitalizações por essas condições dobraram nos Estados Unidos entre 2018 e 2020.

Idade de início cai para crianças de oito e nove anos

Levinson, com quase 20 anos de atuação, relata o pior cenário de sua carreira. Pacientes apresentam sintomas mais severos e a idade de início caiu drasticamente, com crianças de oito e nove anos recebendo diagnósticos. A pesquisadora Cynthia Bulik, da Universidade da Carolina do Norte, descreve o ambiente digital como areia movediça para quem possui predisposição genética, já que a simples restrição alimentar pode disparar o quadro.

Uso off-label de agonistas GLP-1 vira nova frente de risco

A popularidade explosiva de medicamentos para perda de peso baseados em GLP-1 adiciona uma variável perigosa. Uma pesquisa Gallup indicou que 15% dos americanos já usaram essas drogas para emagrecer. Em um estudo recente de Levinson, 30% dos pacientes com transtornos alimentares relataram ter feito uso desses fármacos, muitas vezes obtidos em farmácias de manipulação ou fontes online duvidosas, agravando a patologia base.

Com informações de: MIT Technology Review